terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Tipos de corte para instrumentos

theunofficialmartinguitarforum

Os cortes de madeira para a construção de instrumentos são muito importantes e auxiliam a condutibilidade sonora e a resistência mecânica entre outras coisas.
Violões, cavaquinhos, bandolins, enfim... instrumentos acústicos feitos de madeira maciça são construídos em Book Matched.
Com o intuito de manter a mesma densidade, umidade, coloração e desenho, as madeiras do fundo, laterais e tampo destes instrumentos são retiradas da mesma prancha e suas duas metades espelhadas.
Você já deve ter visto uma linha bem no meio de seu violão e já deve ter percebido que o mesmo desenho que existe de um lado se repete do outro, isto é feito para manter as mesmas características em ambos os lados, gerando um maior equilíbrio.
É claro que violões de compensado simulam esta aparência, mas em nada se comparam aos construídos com madeira maciça.
O corte ideal para se construir violões é o Quarter Sawn ou Quartier.
O Quarter Sawn gera veios paralelos, são mais estáveis e conduzem melhor a vibração.
Este não é um corte muito comum em madeireiras brasileiras pois a maioria corta as toras seguindo o corte Tangencial ou Flat Sawn, mais usado em indústrias moveleiras e que gera desenhos de cúpula de catedral em sua face.
Alguns Luthiers se utilizam deste corte por gostarem dos efeitos visuais que ele oferece, mas este não possui a mesma qualidade do Quarter Sawn.
Temos também o Rift Sawn que é um corte intermediário entre os dois outros tipos. Os veios deste corte são levemente angulados no topo mas ainda vemos linhas retas paralelas na face da prancha.
Este também pode ser usado na construção de instrumentos, possui boa qualidade de propagação, mas não é comparável à qualidade do primeiro apesar de poder ser encontrado com maior facilidade.

www.amishwarehouse.com

Para que se possa aproveitar uma tora inteira em Quarter sawn, será preciso cortar a madeira como nesta imagem.
Existem empresas especializadas na venda de madeiras para construção de instrumentos, que disponibilizam o corte correto e normalmente com a umidade controlada.
Construir com corte em Quartier não significa dizer que o resultado final será melhor em sonoridade que outro feito com corte Rift ou Flat, muitos fatores podem influenciar o resultado final, mas o corte em Quartier ou linheiro consegue reter uma melhor qualidade em todos os aspectos, afinal, mesmo dentro de uma mesma árvore existem diferenças de densidade, umidade, etc.
O Luthier que souber retirar o melhor da madeira poderá compensar estas diferenças e gerar um maravilhoso instrumento.


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Quando falamos de sólidos (guitarras e baixos) , percebemos que grande parte das pessoas prefere o corpo inteiriço, sem colagens.
Hoje em dia as fábricas abusam das colagens fazendo instrumentos com várias peças para baratear o custo.
Não estou falando sobre instrumentos sanduichados, com madeiras diferentes... esta é uma outra abordagem!
Na verdade você vai perceber que a grande maioria dos corpos sólidos sem colagens possui algum desenho do tipo cúpula em sua face, o que denomina que este não está em Quartier.
Querendo ou não, quando isto acontece, existe um desequilíbrio entre as fibras da madeira, o que pode provocar também algum desequilíbrio na vibração e condução da onda sonora.
Outra observação é que para se construir uma guitarra ou baixo de madeira inteiriça em Quartier, seria necessário uma prancha bruta com mais ou menos 40 cm de largura, o que não é muito comum hoje em dia, já que as madeireiras cortam as árvores cada vez mais cedo.
Ao meu ver, este é um preciosismo saudável para os profissionais músicos e luthiers na busca de um instrumento cada vez melhor.
Não quero aqui desmerecer a qualidade individual dos que não possuem estas características, nem a habilidade de seus construtores ou músicos, apenas tento observar as várias faces apresentadas na construção e confrontar com os padrões de qualidade emitidos por algumas fábricas e pelo mercado, que atualmente visam muito mais o "custo x benefício" do que a boa qualidade do instrumento final.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Guia do Músico.


Estamos muito felizes com o resultado da propaganda da Beluthier no Guia do Músico (pág. 93) lançado recentemente. Com esta ferramenta estaremos mais próximos de nossos clientes.
Em breve o site do Guia do Músico também estará no ar e poderemos usufruir de toda a comodidade de contatos com músicos profissionais, serviços e lojas, on-line.
Quem quiser o guia, já pode entrar em contato com o sindicato dos músicos.
Vale conferir!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Ação da Umidade em Instrumentos Musicais

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Esta semana recebi uma pergunta muito interessante: " Se eu deixar meu instrumento no case por muito tempo, ele empena?"
Grande parte dos músicos tem mais de um instrumento e normalmente guardam em cases de boa qualidade. Por mais que estes estejam bem guardados, não quer dizer que fiquem isentos da ação da umidade ou ausência dela. Fatores como o calor ou o frio também fazem diferença.
Na verdade, deixar afinado dentro do case não provoca o empeno, mas a ausência de cuidados sim.
Os instrumentos são confeccionados em madeira e madeira trabalha com calor e umidade.
Quando você deixa a sua guitarra dentro do case por longo período, afinada, em cima do armário ou de baixo da cama... não pode esquecer de controlar a temperatura e umidade dentro do case. Existem medidores de umidade e temperatura, bem como umidificadores para instrumentos musicais.
Para desumidificar normalmente se utiliza silica gel em saquinhos, comprada em lojas de produtos químicos e usada de forma muito moderada e pontual. Desumidificar requer conhecimento, pois você pode danificá-lo definitivamente caso passe do ponto.
Quando um violão, por exemplo, está com o braço empenado no sentido da tenção das cordas, a ação está alta e você percebe que a linha do cavalete também está um pouco a baixo do nível da escala, é um sinal de que pode ter sido consequencia da falta de umidade. Podemos tentar reverter este quadro umidificando o mesmo, mas dependendo do tempo em que ficou exposto ( meses) e de como a madeira trabalhou, pode ser necessário uma operação mais incisiva, como plainar parte do empeno para re-alinhar a escala. A ausência de umidade também afeta o bojo, que se for de madeira maciça pode provocar rachaduras por causa da contração. Nos violões de fábrica construidos com corpo de compensado isso é menos visível, mas com o tempo pode provocar retração das folhas e micro rachaduras superficiais.
A quantidade de umidade necessária para um bom funcionamento, tem relação com a umidade em que o instrumento foi construído. Para exemplificar, se seu violão foi construído no Rio de Janeiro e o luthier não se preocupou com o tempo e fechou seu instrumento com uma umidade relativa de 80%, a princípio você não verá diferença, pois no Rio não temos uma variação tão grande a ponto de gerar problemas mais sérios, mas, você tocará em Brasília no mês de julho e a umidade lá está em 30%, você corre grande risco. Se perceber que as cordas de seu instrumento começaram a ficar um pouco altas, é um sinal de que está havendo desidratação. Corra, umedeça toalhas e espalhe pelo banheiro, coloque algum peso sobre o braço de seu instrumento, que deverá estar em cima do case com as cordas emborcadas para baixo. Pouco antes de você ir para o show verifique a afinação e vá! Continue fazendo o mesmo após acabar de tocar e até sair do estado.
No caso contrário a este, se você vai tocar em Manaus e saiu de Brasília, o problema é menor pois a ausência de umidade é muito mais grave do que o seu aumento, o instrumento não racha na dilatação e sim na contração.
O aumento de umidade pode causar um empeno no braço chamado de back bow, o braço empena no sentido contrário ao das cordas, provocando trastejos. Neste caso o que se deve fazer é desumidificar o mesmo, verificando a sua evolução a cada 4 horas dependendo do empeno e da quantidade de silica colocada, este procedimento leva alguns dias. No bojo acontece uma dilatação, o cavalete sobe e você percebe ondulações leves no tampo e fundo.
Existem outros fatores, como: tipo de corte da madeira, construção, espessura das peças, tipos de madeiras, secagem, acabamento... que ajudam ou evitam o aparecimento de problemas.
Por mais que estas informações possam ajudar, não deixe de procurar um luthier treinado, afinal, como eu disse anteriormente você pode danificar seu instrumento sem saber...

domingo, 14 de dezembro de 2008

Leques Harmônicos

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O violão é um instrumento relativamente novo quando comparado aos instrumentos clássicos como o Violino ou até mesmo a Harpa, este inclusive é o único instrumento de orquestra de cordas dedilhadas devido a sua projeção, e existem vários Luthiers no mundo que estudam uma maneira de fazer o violão clássico ter uma sonoridade perfeita.
Não acredito que o violão chegue a ter a projeção de uma Harpa, mas a sua sonoridade e timbre tem sido alvo de pesquisas profundas.
Você já deve ter percebido que existem violões com ótima sonoridade, volume, brilho e timbres ideais para a música clássica e outros, igualmente bem construídos e tão bons quanto, com um apelo mais popular mais adequados para quem toca harmonias como Bossa Nova por exemplo. O violão é um instrumento muito versátil e se adequa a vários estilos musicais, o que provoca a existência de várias possibilidades - não quero dizer com isso que não exista um consenso entre os Músicos e Luthiers sobre uma base de qualidade, mas você percebe no mercado instrumentos de diferentes tamanhos, designs, madeiras, vernizes, etc, para diferentes fins.
Não existe violão perfeito! Se existisse, não haveriam tantos modelos e todos seriam construídos da mesma maneira. Da mesma forma que não existe um ser humano igual ao outro, assim também é com os instrumentos musicais, a maior prova disso é que são feitos de madeira, e na própria árvore existem diferenças de densidade, úmidade e consequentemente de sonoridade. Sabemos que um violão é feito com vários tipos de madeira com características bem diferentes e que somadas vibram como um todo.
O músico acaba sendo o vetor que agrega determinado tipo de instrumento à sua música e acaba norteando outros colegas e construtores. No final da história, escolher um bom Violão depende da qualidade do músico e de seu estilo.
Encontrei estes desenhos com vários tipos de leques harmônicos de Luthiers famosos que representam bem estas diferentes possibilidades. Todos visam o mesmo fim, o Violão perfeito.
Tente escolher o seu!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Blindagem



Atendendo a pedidos, bloguei as fotos para ilustrar uma boa blindagem, feita com folha de cobre dura, mais espessa, condutiva e totalmente estanhada para uma vedação perfeita com o escudo, esta gaiola se assemelha a gaiola de Faraday e permite uma blindagem muito eficaz.

A Gaiola de Faraday foi um experimento conduzido por Michael Faraday para provar que uma superfície condutora eletrizada possui campo elétrico nulo em seu interior dado que as cargas se distribuem de forma homogênea na parte mais externa da superfície condutora, como exemplo podemos citar o Gerador de Van de Graaff.

No experimento de Faraday foi utilizada uma gaiola metálica, que era eletrificada e um corpo dentro da gaiola poderia permanecer lá, isolado e sem levar nenhuma descarga elétrica.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Mythbuster: Tirante X Empeno

Olá amigos.
Estou aqui novamente para questionar mais um mito popular do meio musical.
Quantos de vocês já ouviram dizer que o Tirante, aquele ferro que existe dentro do braço de milhares de instrumentos de corda, evita e até mesmo tira o empeno de braços?
Vamos abordar este assunto com moderação, não como aqueles que bebem e dirigem.
O tirante é um ferro que possui uma porca na ponta e normalmente é instalado com uma certa curvatura dentro do braço (tirantes simples one way). Esta pequena porca, pode ficar tanto na mão do instrumento, como na parte traseira do braço e serve para tencionar o braço, no sentido contrário ao das cordas, daí a suposição de que ele tem super poderes.
Quando a corda vibra ela cria uma bolsa, para que esta bolsa não encoste no traste, o braço precisa ter uma leve curvatura, quem dá esta curvatura é o tirante. A curva é ajustada de acordo com a tensão das cordas, isto acontece muito quando passamos de uma corda 0,9 para uma 0,10 por exemplo.
Quando a madeira do braço começa a ceder, ou empenar, o músico recorre ao tirante para compensar aquele maldito trastejo que ele não sabe de onde vem e que apareceu do nada. Sem saber que pode estar cometendo um erro, pois o braço pode ter trabalhado com a umidade ou com o calor, ele aperta o tirante para compensar a altura das cordas.
Caso o braço esteja empenando e o tirante sendo usado para segurar este empeno, o próprio com o tempo empenará com o braço e comerá o canal por dentro, chegando o momento de perder a ação ou até, alcançar o ponto de ruptura da rosca do tirante.
Neste estágio, a recuperação do braço é bem mais séria e delicada, podendo vir inclusive a danificá-lo irremediavelmente.

O bom músico deve saber como as mudanças de temperatura e umidade alteram o seu instrumento, isto também fará diferença na hora de regular o tirante, afinal, madeira trabalha.